“O número de mulheres que trabalham nas equipes do FIA WEC está crescendo”, diz Sarah Elliott, da Gulf Racing

“Nunca tenha medo de fazer o que você deseja! Trabalhe duro e faça amigos”. Essa é a mensagem de Sarah Elliott, Assistente do Gerente de Equipe da Gulf Racing, um dos times da categoria LMGTE Am do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC).

A Gulf Racing esteve presente no Prólogo 2019 e está confirmada para as 4 Horas de Silverstone, primeira etapa da temporada, com seu Porsche #86 e com Sarah Elliott cuidando de toda a logística da equipe – hotéis, caminhões, fretes -, a comunicação organizacional, a contabilidade e além de patrocínio e parcerias, suas funções como assistente da gerência da equipe.

Aos 32 anos, Sarah mora perto da cidade de Milton Keynes, na Inglaterra, que fica a cerca de 20 quilômetros do Circuito de Silverstone. “Sou casada com Geoffrey, meu cachorro da raça Dachshund”, brinca. O famoso circuito inglês, inclusive, é parte importante da história de Sarah no automobilismo.

Após cinco anos trabalhando na Gulf Racing, Sarah diz que seu objetivo é “sempre trabalhar duro e fazer um bom trabalho. Gosto de completar uma tarefa e fazer isso bem”, diz. E finaliza com um dos seus desejos: “uma vitória em Le Mans também seria muito bom”.

Confira, abaixo, um bate-papo que tivemos com a Sarah sobre sua carreira e o espaço das mulheres no automobilismo! 

6H de São Paulo – Como você se interessou pelo esporte a motor?
Sarah – Sinceramente, sempre me interessei por carros, desde pequena. Eu costumava ajudar meu pai a lavar o carro e meu brinquedos eram sempre carros, garagens, blocos de construção e Lego. E isso foi progredindo até quando eu tive idade suficiente para visitar Silverstone, que é bem próximo de onde moro. Frequentemente eu participava de corridas ou eventos por lá. Também comecei a mostrar meu próprio carros em vários eventos ao redor do Reino Unido, então tudo isso vem desde quando eu era muito jovem.

6H de São Paulo – Como você acabou entrando no automobilismo e trabalhando nesse segmento?Sarah – Minha carreira no automobilismo começou há cinco anos, na Gulf Racing, e onde ainda continuo trabalhando. Consegui o emprego por meio de um amigo e comecei como Gerente de Escritório, auxiliando o Gerente da Equipe no planejamento e logística, cuidando de coisas do dia a dia do escritório, como verificações de saúde e segurança e manutenção predial. Depois de algum tempo me tornei Assistente do Gerente de Equipe, que é a posição que tenho atualmente. Antes disso, trabalhei em uma loja que venda peças de carros e também estava na área de vendas de automóveis.

6H de São Paulo – Como tem sido para você continuar trabalhando em um segmento dominado por homens. Como foi para você passar por cima das adversidades do trabalho?
Sarah – Sempre trabalhei em um segmento dominado por homens, então não vejo nada diferente. Em empregos anteriores, como na venda de peças de automóveis, achei particularmente mais difícil ganhar a confiança das pessoas. Achei muito mais fácil no mundo do automobilismo, é um lugar muito acolhedor.

6H de São Paulo – Como você vê o futuro das mulheres no mundo do automobilismo?
Sarah – Estando há cinco anos no WEC, tenho visto um aumento no número de mulheres que trabalham nas equipes – e em todos os setores, o que acho fantástico. Foi muito bom ver uma equipe formada somente por mulheres em Le Mans neste ano e espero ver mais disso. Eu sei que a faculdade de automobilismo próxima à nossa sede tem visto um aumento no número de estudante do sexo feminino, o que é interessante para as futuras gerações. Penso que seguiremos em frente!

6H de São Paulo – Você pode nomear os momentos mais memoráveis da sua carreira?
Sarah – As 24 Horas de Le Mans é uma prova muito desafiadora, tanto para os carros quanto para as equipes. Desde que começamos no WEC, em 2016, participamos de quatro 24 Horas de Le Mans e terminamos todas as provas. Não vencemos, mas para uma prova como essa às vezes isso não importa. Seria uma experiência incrível estar no pódio em Le Mans e quando terminar, você mostra a importância do trabalho em equipe no esporte a motor. Eu acredito que o trabalho em equipe é a coisa mais importante.

6H de São Paulo – Por favor, envie uma mensagem para as mulheres, especialmente as brasileiras, que sonham em trabalhar no automobilismo.
Sarah – Nunca tenha medo de fazer o que você deseja! Trabalhe duro e faça amigos. Posso dizer, honestamente, que foi a melhor coisa que fiz!

Por Rafael Bonizzi